Plano de negócios é chave para sobrevivência de empresas
As vezes não damos muita importância para as matérias dadas na faculdade.
Eis abaixo um modelo de aplicação direta do que aprendemos...
Plano de negócios é chave para sobrevivência de
empresas
Antes das eleições presidenciais de 2002, o
jornalista e advogado Henry Ajl abriu uma empresa de turismo de aventura. Pouco
tempo depois, teve de fechá-la: a cotação do dólar disparou, as viagens
internacionais ficaram mais caras e os clientes
sumiram.
A experiência de Ajl é similar à de muitos
empresários. Apesar de terem uma boa ideia de empreendimento, não investem em um
plano de negócios. Considerada uma das ferramentas mais importantes para o
planejamento, o documento descreve os objetivos da empresa e analisa o que é
necessário para alcançá-los.
Segundo relatório do Sebrae (Serviço Brasileiro de
Apoio às Micro e Pequenas Empresas), 45% dos donos de empreendimentos abertos
entre 2003 e 2007 no Estado de São Paulo não levantaram dados sobre o número de
clientes que teria e seus hábitos de consumo; 30% ignoraram o número de
concorrentes e 28% não buscaram informações sobre
fornecedores.
Foi "um erro", admite Ajl, sobre a falta do plano de
negócios. Mas, complementa, "a gente é tão consumido no dia a dia que não sobra
tempo".
Em 2003, o empresário mudou de área e abriu uma
produtora de vídeo. Apesar de dizer que "seria interessante ter um plano de
negócios", Ajl afirma que a maioria das decisões que ele e o sócio, Markus
Bruno, tomam é acertada. Exemplo disso foi a de investir, há seis anos, em
gravação em alta definição - padrão que se popularizou no país. "A gente não tem
uma coisa formalizada, mas, de tempos em tempos, sentamos e decidimos o que
vamos fazer."
Segundo Dariane Castanheira, professora da Fundação
Instituto de Administração (FIA), entidade ligada à USP, o plano de negócios é
essencial "para que o empresário não invista dinheiro e esforços em
vão".
Para isso, é necessário abranger três pontos
cruciais: o ambiente (contexto em que a empresa se insere, desde concorrência
até macroeconomia), o produto ou serviço que é oferecido (características e
diferencial) e um plano financeiro (capacidade de investimento, fluxo de caixa e
previsão de lucro). "Muitas vezes, o empresário acha que tem tudo na
cabeça."
Além do ganho com o planejamento em si, Castanheira
explica que, com um plano de negócios, é mais fácil conseguir crédito em
instituições como o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e
Social).
Para elaborar o plano de negócios, vale investir em
informações na internet - como a cartilha do Sebrae - ou em livros. Ou fazer
como o empresário Minoru Ueda, que matriculou-se em um curso de gestão de
empresas.
Formado em história, mas com especializações na área
de administração, ele já havia trabalhado em um banco e na área de recursos
humanos quando decidiu que abriria uma franquia de uma loja de bijuterias com
sua esposa. A partir de então, os dois procuraram capacitação em
empreendedorismo e fizeram um plano de negócios com uma projeção de 10
anos.
Em 2004, a primeira loja foi aberta no Itaim Bibi e,
no fim do ano passado, seguindo o plano, a segunda franquia foi inaugurada. Ele
diz que as maiores dificuldades foram fazer as previsões de macroeconomia e de
política do país e pensar em cada detalhe, cada possibilidade que poderia
influenciar sua loja.
"Sempre vai haver uma ou outra coisa inesperada, mas,
quando há planejamento, o impacto no negócio é menor, porque todo o resto está
planejado", diz ele. Ueda fala com propriedade. Quando tinha apenas a primeira
loja, a rua passou por reforma para se transformar em shopping a céu aberto.
Durante cerca de um ano, o movimento caiu; mesmo assim, a empresa
sobreviveu.
A flexibilidade, aliás, é outra característica
importante do plano. Ele deve ser um guia para o empresário, nunca um gesso. "É
importante que o plano de negócios seja repensado sempre, é assim que as grandes
empresas fazem", adverte Castanheira.

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